O comandante-geral do Exército venezuelano, general Jorge Tagliaferro, confirmou ontem que o massacre de 16 índios yanomamis ocorreu mesmo em território da Venezuela, a 64 km a Sudeste da base de proteção de fronteiras Parima B. O general explicou que o local fica em uma região montanhosa, de difícil acesso, 850 metros acima do nível do mar e que só pode ser atingida por via aérea ou, em condições precárias, por marcha forçada através da selva. O Brasil ainda não conseguiu realizar o levantamento geográfico dos locais onde foram massacrados 16 yanomamis por garimpeiros brasileiros, na região de Haximu, porque só hoje devem chegar a Boa Vista (RR) os técnicos venezuelanos que farão o trabalho com os brasileiros. A divulgação do laudo do Comando de Operações Táticas da Polícia Federal de que as mortes de yanomamis ocorreram em território venezuelano está estimulando o retorno dos garimpeiros à reserva indígena. Só na manhã de ontem os postos da FUNAI identificaram a passagem de dois aviões que operam transportando garimpeiros. A PF já foi informada sobre os vôos ilegais. No Estado do Amazonas, a PF, a FUNAI e o IBAMA interditam hoje dois trechos do rio Negro, passagem obrigatória de garimpeiros à reserva yanomami e ao Parque Nacional do Pico da Neblina. A operação visa retirar 1.500 garimpeiros que mineram ouro dentro das duas reservas (JB).