BRASILEIROS INTEGRAM SEITA DE SEXO ARGENTINA

Onze das 137 crianças da seita "Meninos de Deus", desbaratada pela polícia argentina sob a suspeita de praticar abusos sexuais, são brasileiras. Segundo a polícia, as mulheres eram forçadas a vender seus corpos, tanto para atrair novos membros como para ajudar a pagar as despesas da organização. As autoridades ainda estão confusas, porque algumas crianças seriam filhos do mesmo pai mas de mães diferentes, já que o amor livre era uma prática comum. Entre as centenas de adultos e crianças detidas, as autoridades contabilizaram 19 nacionalidades diferentes, o que leva à suspeita de que o grupo era parte de uma rede internacional. A polícia argentina deteve inicialmente 101 argentinos e 134 estrangeiros, entre os quais 11 brasileiros. No último dia dois só restavam 16 integrantes da seita em poder das autoridades. Os menores foram entregues ao Juizado de Menores. Sexo, prazer e amor livre estão na base da espiritualidade da seita Meninos de Deus, movimento fundado pelo evangelista David Berg em 1968 nos EUA e exportado cinco anos depois para o Brasil, onde seus missionários atuam em quase todas as capitais, mas principalmente no Rio de Janeiro e em São Paulo. Eles distribuem folhetos e vendem fitas cassetes nas calçadas. Os adeptos vivem em comunidades, cujos endereços nada têm a ver com templos ou igrejas. São, em geral, rapazes e moças que abandonam família, emprego e escola para morar juntos, seguindo os conselhos que seu líder condensou em "Cartas de Mô", uma espécie de bíblia do movimento. "Vivemos como os cristãos da Igreja primitiva", diz o porta-voz da seita, o norte-americano Paul Brian Connolly, que chegou ao Brasil em 1973 (JB).