A Polícia prendeu ontem cinco policiais militares suspeitos de terem participado da chacina de Vigário Geral, no Rio de Janeiro. Nas casas deles foram encontrados 19 capuzes e várias armas, entre elas um fuzil AR- 18, que podem ter sido usados na matança de 21 pessoas. A Polícia apreendeu também um Santana verde roubado-- semelhante a um dos carros usados pelos assassinos. Um dos suspeitos, o soldado Paulo Roberto Borges, do 12o. BPM (Niterói), tem uma carteira de assessor do deputado estadual Emir Larangeira, coronel reformado da PM e ex-comandante do 9o. BPM (responsável pelo policiamento na área da chacina). O crime, segundo a Polícia, foi cometido pelo grupo "Cavalos Corredores", formado por PMs, policiais civis e alcaguetes envolvidos em extorsões e extermínios. O motivo seria vingar um dos membros do grupo, o sargento Aílton Ferreira, morto com três outros PMs na noite anterior, em Vigário Geral. O chefe de polícia da PM, tenente-coronel Valmir Alves Brum, acha que os responsáveis pelo massacre de Vigário Geral estão ligados à chacina de Acari, na qual morreram 11 menores em julho de 1990. A chacina de Vigário Geral gerou duas novas comissões no governo federal. Ontem, o Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CDDPH) decidiu instaurar uma comissão de inquérito para apurar as causas e as responsabilidades da chacina. A outra comissão trabalhará na elaboração de medidas para acabar com a violência no Brasil. Os desembargadores reunidos ontem no Encontro do Colégio Permanente de Presidentes de Tribunais de Justiça, no Rio de Janeiro, decidiram enviar ao Congresso Nacional apoio à proposta de redução de competência das autoridades militares. Os 28 desembargadores, representando Tribunais de Justiça de todo o país, querem que as auditorias julguem apenas o que for considerado crime militar-- como desacato aos superiores ou deserção. Pela sugestão dos desembargadores, assassinato, roubo ou extorsão passariam a ser julgados pela Justiça comum (O Globo) (JB).