PMs VENDIAM ARMAS PARA TRAFICANTES

O sargento Ailton Benedito Ferreira, o cabo Irapuam Calixto e os soldados José Carlos Santana e Luiz Mendonça Santos foram mortos na noite do último dia 28 durante uma operação de venda de armas a traficantes da favela de Vigário Geral, subúrbio do Rio de Janeiro (RJ). A informação é de um advogado da quadrilha de Flávio Pires da Silva, o "Flávio Negão", que controla o tráfico na região. Na operação, "Negão" tinha a proteção de 12 companheiros, divididos em três carros, e um impasse-- os PMs resolveram exigir um preço acima do previamente combinado-- provocou a execução dos quatro, seguida da chacina, 24 horas depois, de 21 moradores. Na favela, os traficantes negam a execução dos quatro PMs. Um deles, Stallone, gerente de "Flávio Negão", atribui o crime a policiais civis e, fingindo solidariedade aos favelados, passou o dia ontem ajudando a colar cartazes que convocam para um ato contra a chacina, previsto para hoje. A chacina de Vigário Geral pode ter sido cometida por um grupo de extermínio, integrado por PMs, policiais civis e agentes penitenciários, segundo o delegado Otávio Seiler, da 39a. DP, que está investigando o caso. Ontem, ele tomou o depoimento de cinco PMs e um civil suspeitos de participação no crime, que devem ter prisão provisória decretada hoje. As investigações da chacina reacenderam a rivalidade entre as Polícias Civil e Militar. Oficiais da PM acusam setores da Polícia Civil de procurarem responsabilizar a PM, sem provas. Comandantes de batalhões, reunidos ontem, divulgaram um manifesto intitulado "Não chacinem a PM". O alto comando da Polícia Militar decidiu que a PM vai ocupar a favela de Vigário Geral por tempo indeterminado e combater todos os grupos paramilitares que ameaçam a comunidade. Para combater os grupos de extermínio a PM criará o Grupamento Especial de Apoio Tático, que contará inicialmente com três patamos de cada batalhão da capital, especialmente designados para fazer um trabalho preventivo (JB) (O Globo).