O ambientalista venezuelano Charles Brewer Carías, indicado pelo governo da Venezuela para investigar a chacina dos índios yanomamis, reconhece que o crime ocorreu em território venezuelano. Segundo Carías, o massacre aconteceu às margens do Haximu, afluente do rio Orenoco. Carías não descarta a possibilidade de a Guarda Nacional de seu país ter distribuído armas aos índios para se defenderem dos garimpeiros brasileiros. Se isso ocorreu, sustenta, foi "para a defesa" dos índios. A Guarda Nacional integra as Forças Armadas da Venezuela. Sum função é vigiar as fronteiras, rodovias nacionais, instalações petrolíferas e estatais, além das alfândegas. Carías deu as informações ao jornal "Economia Hoy", de Caracas, em sua edição de ontem. A Polícia Federal retirou ontem 15 garimpeiros da reserva yanomami que procuraram o posto da FUNAI em Surucucus (RR). Os garimpeiros serão submetidos a uma triagem, realizada pela PF com o objetivo de tentar conseguir informações sobre os responsáveis pela chacina de Haximu. O presidente Itamar Franco demitiu ontem o Cláudio Romero da presidência da FUNAI. Para o seu lugar assume interinamente o indigenista Dinarte Nobre de Madeiro. O Palácio do Planalto nã aceitou as críticas de Romero à criação do Ministério Extraordinário para Articulação de Ações na Amazônia Legal e as reclamações públicas contra a ação da PF, que não conseguiu encontrar os corpos dos índios vítimas do massacre. Itamar também não gostou das versões da FUNAI, sustentadas por Romero, que começaram com 14 mortos e, três dias depois, chegaram a 73. No início desta semana, a FUNAI divulgou oficialmente que morreram 16 índios e dois garimpeiros no confronto na reserva yanomami (FSP).