O governo federal gastou em julho CR$94,5 bilhões a mais do que arrecadou com impostos, registrando o maior déficit do governo Itamar Franco e um dos maiores já registrados nos últimos anos. As receitas federais somaram em julho CR$242,3 bilhões e as despesas CR$336,7 bilhões. Em junho o Tesouro havia registrado um superávit fiscal de CR$12,2 bilhões. Contribuíram para o resultado do mês de julho não só o comportamento da arrecadação (que caiu 0,68% reais em relação a junho) como também-- e principalmente-- o aumento dos gastos com os juros pagos aos credores externos e internos, e com o custeio da máquina administrativa. As despesas com custeio e investimento somaram CR$75 bilhões em julho, um crescimento de 95,5% reais. O pagamento da dívida externa, em julho, somou CR$27,6 bilhões, 322% a mais do que no mês anterior e 505,3% a mais do que em julho de 1992. Quanto ao pagamento da dívida interna, só ao Banco Central o Tesouro pagou CR$19,9 bilhões naquele mês, em razão do resgate antecipado de seus títulos naquela instituição. Outros CR$6,7 bilhões foram gastos com o pagamento de títulos de longo prazo (15 meses) em poder do mercado, um crescimento de 2.011,2% em relação a julho do ano passado. Ao anunciar ontem os números, o secretário do Tesouro Nacional, Murilo Portugal, admitiu que o déficit registrado em julho é "realmente expressivo", mas disse que mais importante que isso é o superávit primário (receitas menos despesas, sem contabilizar os juros) acumulado neste ano, de CR$135 bilhões. Se forem contabilizados os gastos com juros, o que se tem no acumulado do ano é um déficit de CR$136,5 bilhões (FSP).