FUNAI CULPA YANOMAMIS POR VERSÕES CONFUSAS

O assessor da presidência da FUNAI, Dinarte de Madeiro, culpou ontem os yanomamis pela confusão no número de mortos na chacina de Haximu. "Eles deram nomes de pessoas que estão vivas e tumultuaram a apuração", afirmou. O sertanista Francisco de Lima, que ajuda nas investigações, apontou três índios como testemunhas, quando na realidade eles apenas ouviram falar do massacre. O presidente da FUNAI, Cláudio Romero, reconheceu que houve precipitação na divulgação de informações sobre o massacre dos índios. Ele justificou que contra-informações, provocadas sobretudo pelo fato de a área ser de difícil acesso, acabaram gerando um mal entendido. "Nossa vontade era a de que nada tivesse acontecido. Infelizmente, foram 17 mortos", afirmou, citando um novo número. O ministro para a Articulação de Ações na Amazônia Legal, Rubens Ricúpero, disse que as investigações na região de Haximu vão continuar. A Polícia Federal está investigando 23 garimpeiros suspeitos de terem participado do massacre. O delegado Raimundo Cutrim ouviu ontem os 69 sobreviventes na aldeia de Makos, no Amazonas. Pelo menos três garimpeiros suspeitos já foram identificados. São eles "João Neto", "Boca Rica" e Chico Ceará. Os nomes dos três, apontados pelos sobreviventes do massacre, constam também no relatório do antropólogo Bruce Albert (O ESP) (O Globo).