O governo brasileiro decidiu ontem adotar medidas administrativas contra a Argentina, como a suspensão de margens de preferência para a importação de bens de capital e a redução da cota argentina de seis mil para dois mil toneladas de fios de poliamida de alta tenacidade (fios sintéticos). Em vez de gozar de tarifa zero no mercado brasileiro, os exportadores argentinos de máquinas e tornos pagarão a tarifa normal aplicada a todos os fornecedores estrangeiros, que pode chegar a 40%. A decisão de adotar "medidas de reciprocidade" em relação aos processos anti-"dumping" e de salvaguardas (cotas) aplicados contra o Brasil pela Argentina foi anunciada ontem pelo embaixador Rubens Barbosa, responsável pelos assuntos econômicos do Itamaraty. O governo brasileiro, em documento enviado ontem à chancelaria argentina, sugere, também, a convocação de uma reunião do grupo bilateral encarregado do protocolo automotriz para examinar como ficarão as cotas de importação de ônibus e caminhões. O "pacote" de sugestões poderá ser examinado e até respondido pessoalmente, no próximo dia sete, pelo ministro da Economia, Domingo Cavallo, que se encontrará em Brasília (DF) com seu colega Fernando Henrique Cardoso. A previsão de déficit argentino na balança comercial com o Brasil é de cerca de US$1 bilhão, neste ano, em relação a US$1,5 bilhão no ano passado. Até agora, os dados disponíveis indicam que as exportações brasileiras cresceram, neste ano, 25%, e as argentinas para o Brasil, 95%. O intercâmbio deverá somar em dezembro US$5,5 bilhões (GM).