BRIZOLA PROMETE INDENIZAR VÍTIMAS DA CHACINA

O governador do Rio de Janeiro, Leonel Brizola (PDT), disse ontem que as famílias das 21 vítimas da chacina da favela de Vigário Geral serão indenizadas. Após reunir-se com o ministro da Justiça, Maurício Corrêa, o governador anunciou a exoneração do comandante do 9o. Batalhão de Polícia Militar (Rocha Miranda), coronel César Pinto. "A tropa é o reflexo do comandante", disse o governador. Para ele, "o 9o. Batalhão, sem nenhuma dúvida, estava admitindo procedimentos que de nenhuma forma podem ser tolerados pelo regulamento". O govenador se disse "mais que convicto" da participação de PMs no massacre. "Ficou evidente que se tratou de uma operação de vingança", disse. Ele não esclareceu, porém, como será o choque disciplinar na polícia anunciado anteontem. Em reunião com deputados estaduais, o governador anunciou a criação de conselhos comunitários em cada unidade policial. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ) exigiu ontem o imediato afastamento do secretário de Polícia Militar, coronel Carlos Magno Nazareth Cerqueira (que colocou o cargo à disposição), e do secretário de Justiça, Polícia Civil e vice- governador Nilo Batista, ex-presidente da OAB. O ministro Maurício Corrêa descartou a possibilidade de intervenção no Estado do Rio de Janeiro. Após encontro com o governador, o ministro anunciou a criação de um núcleo na Polícia Federal para combater grupos de extermínio e esquadrões da morte. A primeira tarefa do núcleo será auxiliar a polícia do Rio na apuração da chacina. Três policiais militares-- sargento Paulo César, o "Russão", cabo Stefânio e soldado Sfair-- acusados pela chacina prestaram depoimento ontem sobre o crime e estão presos no 9o. BPM. As 21 vítimas do massacre, praticado por cerca de 50 homens na madrugada do dia 30, foram sepultadas ontem, em enterros acompanhados por cerca de três mil moradores da favela de Vigário Geral. Traficantes do bairro prometeram vingar o assassinato dos moradores: "Vai aparecer muito PM morto por aí", disse um deles. Laudo sobre a chacina concluiu que os matadores dispararam no mínimo 100 tiros-- média de três por corpo. Pelo menos duas vítimas morreram quando dormiam. O massacre de Vigário Geral pode estar ligado a outra chacina registrada na favela Parque Arará, em Benfica, subúrbio carioca. Uma hora antes da invasão de Vigário Geral, um grupo de 10 homens, também mascarados, ocupou o Parque Arará e matou seis pessoas. O crime revoltou os moradores, mas, temendo represálias, eles silenciaram. Todo o comércio da favela foi fechado. Os corpos dos mortos teriam sido jogados no rio Faria Timbó, que corta o Parque Arará e desemboca na Baía de Guanabara (O Globo) (FSP) (JB) (JC).