O enfrentamento entre garimpeiros e yanomamis, que culminou com a chacina de Haximu, na Venezuela, começou em fevereiro e envolve indiretamente a Guarda Nacional venezuelana. A tensão na região entre garimpeiros, índios e militares do Brasil e Venezuela gerou um protocolo de intenções entre os dois Exércitos para evitar conflitos, assinado em sete de abril em Manaus (AM), no Comando Militar da Amazônia. O acordo não foi suficiente para impedir o massacre. Estas informações são do líder garimpeiro José Altino Machado, que esteve em Manaus no período da assinatura do documento. Os problemas se agravaram na reserva yanomami, segundo Altino, em fevereiro, quando foram presos na Venezuela, na região de fronteira, 42 garimpeiros brasileiros. Em março, o Exército brasileiro prendeu cerca de 20 soldados venezuelanos. O cas foi abafado na época e iniciou-se uma negociação para troca de detidos. A troca ocorreu e logo em seguida, em abril, os dois Exércitos teriam acertado um acordo pelo qual as prisões de invasores deveriam ser comunicadas e os presos soltos. Segundo Altino, os incidentes continuaram. "A Guarda parou de prender, mas começou a jogar granadas em acampamentos, a sobrevoar baixo com helicóptero, o que era suficiente para derrubar as barracas dos garimpeiros. Esses chegaram a atirar uma vez em uma das aeronaves", revelou. As investigações sobre a chacina dos yanomamis continuarão sendo feitas pela Polícia Federal enquanto a Comissão de Demarcação de Limites do Itamaraty, que chegou ontem a Boa Vista (RR), não determinar se a aldeia Haximu fica ou não no Brasil, informou ontem a Procuradoria-Geral da República. A Justiça e a Procuradoria admitem que Brasil e Venezuela podem trabalhar juntos na apuração da chacina. Se tiver acontecido em território venezuelano, o Brasil participa como colaborador da investigação. Segundo o Itamaraty, não há nenhum documento oficial que afirme que a aldeia fique na Venezuela (FSP).