Quatro Policiais Militares-- um sargento, um cabo e dois soldados-- foram assassinados na madrugada de ontem durante uma incursão que faziam à favela Vigário Geral, no subúrbio do Rio de Janeiro (capital). Segundo a versão oficial, os policiais foram mortos a tiros de metralhadoras e fuzis AR-15 por pelo menos 10 homens ligados a Flávio Pires da Silva, 23 anos, o Flávio Negão, acusado de ser responsável pelo tráfico de drogas em Vigário Geral e apontado como um dos líderes do Comando Vermelho na região. Na favela, moradores afirmam que os policiais teriam ido a Vigário Geral fazer a chamada "mineira"-- coleta de dinheiro para permitir a ação de traficantes. Para a polícia, no entanto, os PMs teriam caído numa cilada: um telefonema anônimo para o Posto de Policiamento Comunitário do Jardim América denunciara a presença de homens armados na praça. Os quatro PMs chegaram ao local e foram recebidos a tiros. O comandante do 9o. Batalhão da Polícia Militar, coronel César Pinto, disse que os policiais cometeram falta disciplinar ao não comunicarem a saída ao batalhão. Maria Clara Manso da Silva, de 15 anos, que estava em um carro parado na praça, foi ferida com um tiro na perna esquerda. A chacina foi presenciada por moradores da região e aconteceu na praça Catolé da Rocha, que fica na entrada da favela. Segundo testemunhas, dos quatro policiais que estavam no Gol da PM, três-- os soldados José Carlos Santana e Luís Mendonça Santos e o sargento Ailton Benedito Ferreira Santos-- foram retirados do carro e mortos na calçada. O cabo Irapuan Calixto Caetano foi assassinado dentro do carro. Os assassinos empilharam os corpos dos policiais e fugiram em três carros. Os policiais militares aproveitaram o enterra das vítimas, ontem à tarde, para protestar contra os baixos salários da corporação e as más condições de trabalho. Nos últimos oito meses, pelo menos 12 policiais foram mortos por traficantes de drogas no Rio. O caso de maior repercussão foi o da execução de quatro policiais civis, em abril, durante um "pega" assistido por mais de 200 pessoas em Jardim América, subúrbio do Rio, perto de Vigário Geral. Os policiais civis, todos da 39a. DP (Pavuna), foram mortos com tiros de fuzis AR-15, metralhadoras e pistolas, a maioria na cabeça (JB) (O Globo) (FSP).