Um grupo de 400 índios de três tribos tomou ontem pela manhã dois garimpeiros como reféns e bloqueou a estrada que dá acesso a diversos garimpos na região de Raposa Serra do Sol, em Roraima. Os índios das tribos Maeuxi, Wapichena e Ingaricó temem um massacre em suas terras, próximas à reserva yanomami. A área, que ainda não foi demarcada pelo governo, fica na fronteira com a Guiana e ali vivem 10 mil índios. O grupo prometeu soltar os garimpeiros e liberar a estrada amanhã. O Conselho Indígena de Roraima disse que o protesto tem o objetivo de chamar a atenção para o garimpo ilegal e os conflitos, que nos últimos cinco anos provocaram a morte de seis índios das três tribos. Em Boa Vista (RR), o delegado da Polícia Federal Sidney Lemos revelou que os 22 garimpeiros suspeitos da chacina de yanomamis em Hoximu estão em território venezuelano, minerando ou escondidos às margens do Rio Orenoco, próximo à fronteira com o Brasil. O delegado informou que investigações realizadas na área da pista de pouso Raimundo Nenê confirmam os depoimentos dos garimpeiros interrogados em Boa Vista, que alegam ter fugido para evitar o confronto com os yanomamis. A FUNAI confirmou que o primeiro ataque ocorreu numa antiga aldeia na Venezuela, onde teriam morrido cinco índios, enquanto outros 13, inclusive nove crianças, teriam sido assassinadas em Hoximu, no Brasil. A FUNAI se baseia no relatório do antropólogo Bruce Albert, ligado à Comissão pela Criação do Parque Yanomami, que esteve na região e recolheu amostras de ossos com perfurações de balas em 10 fogueiras, no lado brasileiro. Segundo o órgão, o número de mortos pode ser ainda maior, já que Bruce Albert se baseou apenas no relato dos sobreviventes. O governo da Venezuela designou ontem uma comissão especial para investigar a morte dos yanomamis. Chefiada pelo ex-ministro Charles Brewer, a comissão viaja hoje até o local do suposto massacre. "É importante sabermos o que aconteceu. As informações estão desencontradas, principalmente as que chegam do Brasi", disse Brewer. Segundo ele, as informações se tornam incorretas na medida em que servem apenas para atender a interesses governamentais (JB) (O Globo).