GOVERNO QUER RECRIAR RESERVA DE MERCADO

O governo federal quer usar o poder de compra do setor público para proteger as indústrias de equipamentos de telecomunicações e de informática instaladas no país, contra os fabricantes estrangeiros. A proteção de mercado será feita através das concorrências para compra de equipamentos e programas ("software") segundo propostas encaminhadas às indústrias pelos Ministérios das Comunicações e da Ciência e Tecnologia. O Estado compra US$2,4 bilhões por ano em produtos de informática e US$1,5 bilhão em equipamentos de telecomunicações. As empresas nacionais de informática apóiam a medida. As compras do governo representam 30% do faturamento do setor. Vamos estimular a produção nacional, diz Kenji Tomikawa, assessor da Secretaria de Política de Informática (Sepin), do Ministério da Ciência e Tecnologia. "A preocupação não é por máquinas melhores e mais baratas, mas em proteger o mercado para as nacionais", diz Jorge Schreurs, diretor-geral da norte-americana Compaq. Ele lembra que as empresas nacionais já tiveram quase 20 anos de reserva de mercado para desenvolverem produtos. A volta da reserva de mercado para os equipamentos de telecomunicação, através do Sistema TELEBRÁS, proposta pela portaria 647 do Ministério das Comunicações, é defendida pelas maiores empresas do setor: a NEC, do empresário Roberto Marinho em associação com japoneses, e a Ericsson, do grupo Monteiro Aranha e capital sueco. Mas é criticada por grupos como a Sid e a Promon. Para resolver o impasse entre as empresas, o Ministério das Comunicações admite substituir a portaria 647 pelo aumento da carga tributária, mas a questão ainda não está definida. As centrais de telefonia são o alvo principal da portaria. Depois da abertura do mercado, os preços das centrais telefônicas despecaram de US$900 para US$300 por terminal e parte da queda se deve à concorrência estrangeira (FSP).