RECUPERAÇÃO SALARIAL É DESIGUAL

A recuperação da economia está deixando para trás os trabalhadores que ganham menos. No primeiro semestre deste ano, o rendimento real médio cresceu em todas as regiões, na comparação com o mesmo período de 1992. Mas segundo os dados divulgados ontem pelo IBGE, as maiores beneficiadas, na maioria delas, foram as faixas salariais superiores. A maior diferença foi registrada na região metropolitana de Belo Horizonte (MG), onde os 25% que ganham menos tiveram rendimento real 1,43% maior, enquanto os 25% que ganham mais conseguiram uma recuperação de 11,33%. Em Recife (PE), caiu em 2,27% o rendimento dos 25% de renda mais baixa, enquanto os 25% mais bem aquinhoados obtiveram ganho de 5,89%. A pesquisa mostra também que a economia informal é o refúgio seguro dos cariocas de baixa renda. Enquanto os trabalhadores com carteira assinad tiveram seu rendimento real amentado entre 3,75% e 6,20%, os sem carteira chegaram a ganhar 13,68% em relação ao primeiro semestre do ano passado. Em São Paulo, o comportamento foi exatamente o inverso. Com um parque industrial que vem alavancando o crescimento da economia em vários setores, as maiores variações aconteceram no mercado formal de trabalho, chegando a 14,56% para a faixa com rendimento médio de 4,28 salários- mínimos. A pesquisa do IBGE revela ainda que o número de pessoas ocupadas cresceu 2% em julho, na comparação com o mesmo mês do ano passado. A taxa de desemprego aberto (número de pessoas procurando trabalho dividido pela população economicamente ativa) ficou em 5,23% em julho (JB).