CHILE QUER REDUZIR TARIFAS E ELIMINAR COTAS

O Chile resolveu convergir "gradualmente" para um esquema de integração econômica ampla na América Latina. Para uma inserção no MERCOSUL, por exemplo, o governo chileno vai esperar que exista uma "concordância de políticas econômicas". O Chile que cresceu 10,4% em 1992 taxa que neste ano deve ser de 7% em razão da recessão mundial, faz eigências para essa integração ampla, como mencionou, ontem, o embaixador Carlos Martinez Sotomayor: -- Uma liberação gradual e automática do universo tarifário, com exceção de alguns produtos sensíveis. -- O cancelamento de todas as medidas não-tarifárias que dificultam O comércio. -- a Vigência de normas claras de concorrência Comercial para evitar práticas e políticas desleais, como subsídios e "dumping". -- a Criação de um mecanismo Jurídico eficiente de Solução de controvérsias. -- A tendência de liberação de outros fatores de produção, entre eles a não discriminação em matéria de investimentos e de serviços em geral. Por essa lista de requisitos, é possível medir, em parte, a distância que ainda existe entre o Chile e o Brasil para a concordância de políticas econômicas. Em matéria de medidas não-tarifárias, por exemplo, o Chile reclama da suspensão de compras de lítio, mineral estratégico cuja importação pelo brasil foi suspensa a pedido do Centro Brasileiro de Energia Nuclear. A importação desse produto, que vinha crescendo-- em 1991 representou US$3 milhões na pauta de comércio-- foi considerada pouco recomendável no âmbito de uma política nuclear brasileira que pretende a não-proliferação. Outro caso expressivo é o do sal: o Brasil cobra um imposto especial para importar sal chileno sob o argumento de que é importante para fomentar o desenvolvimento dos portos. Por outro lado, porém, Brasil e Chile estão se aproximando a passos rápidos: os dois governos deverão assinar, durante a visita do presidente Itamar Franco a Santiago, dias 16 a 19 de setembro, um acordo de proteção e promoção de investimentos; estão negociando, também, um acordo de complementação econômica, contendo um mecanismo de solução de controvérsias. O Chile, que tem no Brasil o seu terceiro sócio comercial, depois do Japão e dos EUA, está repensando suas estratégicas comerciais e econômicas com o Brasil. O intercâmbio bilateral no ano passado foi de aproximadamente US$1,5 bilhão, sendo US$1 bilhão de exportações brasileiras. Contribuiu para esse déficit a queda nas vendas de frutas chilenas ao Brasil (GM).