BIRD VAI ABRIR AO PÚBLICO INFORMAÇÕES SOBRE PROJETOS

A diretoria do Banco Mundial (BIRD) anunciou ontem, em Washington (EUA), uma profunda mudança em seu processo de análise de projetos enviados por países em busca de financiamento. Até aqui, as transações eram feitas em sigilo entre ambas as partes. Daqui por diante, os documentos que fizerem parte desses projetos serão abertos ao público, antes de que os empréstimos sejam aprovados pelo banco. Desta forma, as obras a serem contratadas poderão ser fiscalizadas pelo público. Para isso está sendo criado o Centro de Informação Pública do BIRD. O acesso será garantido tanto aos habitantes das áreas onde se pretende construir, por exemplo, uma usina hidrelétrica ou uma rodovia, quanto aos grupos ecológicos, que, assim, terão chances de monitorar, com antecedência, o impacto que a construção terá no meio ambiente. Nos últimos tempos vários projetos do Brasil, Índia e Indonésia foram criticados por causa de seus impactos nocivos ao meio ambiente. Agora, as potenciais vítimas de uma determinada obra terão a chance de intervir antes que ela seja aprovada. A novidade, classificada como revolucionária por algumas entidades não-governamentais não teria agradado ao governo brasileiro. Fontes da área disseram que o Brasil tinha posição contrária à tal abertura: a proposta nesse sentido era vista, por Brasília, como uma manobra dos grupos ambientalistas. Isso chegou a ser manifestado nas reuniões de diretores executivos do BIRD, durante as quais foi debatida a reforma anunciada ontem por Ernest Stern, que ocupa interinamente a presidência do banco. Essa ampla disseminação de informações ajudará a aumentar a
75488 participação local e a fortalecer o desenvolvimento da efetividade dos
75488 projetos que o BIRD financia, disse Stern. Agora, os interessados poderão obter desde os estudos ambientais e aspectos técnicos de uma obra, e até mesmo os informes sobre a economia de um país que pleteia um empréstimo do BIRD (O Globo).