MULHER CHEFIA 20% DAS CASAS NO BRASIL

A mulher assumiu a condição de chefe de 20% das cerca de 38 milhões de famílias brasileiras, indica o livro "Mulheres Latino-Americanas em Dados", volume Brasil, lançado ontem no Rio de Janeiro (RJ) pela FLACSO (Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais) e pelo Instituto da Mulher do Ministério de Assuntos Sociais da Espanha. A quantidade de famílias brasileiras lideradas por mulheres pode ser ainda maior. De acordo com análise da publicação, podem ter ocorrido distorções na coleta de informações, por causa do vínculo entre chefia de família e masculinidade, tradicional no Brasil. A década de 80 registrou um crescimento do número de mulheres mais jovens à frente de famílias. O censo demográfico de 1970, preparado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), concluiu que 25% das chefes de família tinham menos de 40 anos. Em 1987, essa proporção subiu para 44%. Para Vanderli Guerra, analista da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílio) do IBGE, a penetração da mulher no mercado de trabalho é um dos fatores responsáveis por sua ascensão na hierarquia familiar. "A partir do momento que trabalha, ela passa a ter condições de viver sozinha ou chefiar uma família", diz. A PNAD mostrou que em 1990 a população feminina ocupava 39,2% dos empregos existentes no país. Em 1981, esta ocupação era de 32,9%. No mesmo período, foi pequena a progressão dos homens no mercado de trabalho (74,6% em 81 contra 75,3% em 90). Guerra também cita a queda da natalidade e da fecundidade como fatores que influenciaram as conquistas das mulheres. "Quanto menos filhos a mulher tiver, mais fácil fica trabalhar", disse ela. As características da mulher brasileira chefe de família são pouco variadas. Quase todas afirmam não ter cônjuges. São solteiras ou separadas. A idade média de quem chefia a família é de 40 anos. Questões regionais também influenciaram os números obtidos. Apontada como reduto conservador do país, a região Nordeste apresentou um percentual de mulheres chefes de família (20,9%) maior que o verificado no Sudeste (20,5%), que concentra a população mais esclarecida do país. O motivo do contraste seria a migração de nordestinos. Apesar do aumento da presença da mulher no mercado de trabalho e à frente de famílias, o atrelamento às atividades do lar ainda é registrado de modo intenso. A PNAD de 90 indica que 35,7% das trabalhadoras não têm vínculo empregatício. Metade delas não gostaria de ter, revela o trabalho. Destas, 24% apresentaram a seguinte razão: são obrigadas a cuidar dos afazeres domésticos, como tomar conta de filhos e cozinhar (FSP).