Cerca de 40 pistoleiros estão tentando retirar 300 famílias de trabalhadores rurais sem-terra que ocuparam a fazenda Conceição, em Porto Calvo (AL). Na madrugada de anteontem os pistoleiros estiveram no acampamento dos agricultores dando tiros para o ar. Os sem-terra reagiram jogando pedras. Ninguém ficou ferido com gravidade. O problema na fazenda Conceição começou no dia 16, quando as 300 famílias-- cerca de duas mil pessoas-- ocuparam as terras para pressionar o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) e o Instituto de Terras de Alagoas (Iteral) a acelerarem o processo de desapropriação da fazenda para reforma agrária. O assessor jurídico da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Mirabel Alves da Rocha, que está negociando com o INCRA em nome dos agricultores, disse que a fazenda tem 2.200 hectares e está hipotecada ao Banco do Brasil. Há dois anos o INCRA e o Iteral tentam, sem êxito, comprá-la com Títulos da Dívida Agrária (TDAs). A direção estadual da CUT comunicou a presença dos pistoleiros na fazenda ao secretário de Segurança de Alagoas, Rubens Quintela, e ao comando da Polícia Militar. Quintela disse que não pode garantir a segurança dos sem-terra em virtude da greve dos policiais civis. A PM prometeu enviar um pelotão com 10 homens para fazer a segurança preventiva e evitar confrontos. Até o final da tarde de ontem nenhum policial havia chegado à fazenda (O Globo).