POLÍTICOS E EMPRESÁRIOS DEVEM À CONAB

O senador Moisés Abraão (PPR-TO), o deputado Pedro Abraão (PP-GO) e os empresários Olacyr de Moraes, conhecido como o "rei da soja", e Jefferson Cardoso, irmão de Eduardo Cardoso-- amigo do ex-presidente Fernando Collor-- constam da lista dos 50 maiores devedores da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB). A lista, que foi apresentada semana passada pelo presidente da CONAB, Antônio Félix Domingues, ao Conselho de Segurança Alimentar (Consea), é encabeçada pela Cooperativa Agrícola M. Canarana (Coopercana), do Mato Grosso, que deve ao governo CR$860 milhões. O senador Moisés Abraão, dono da Sociedade de Armazéns Gerais Ltda. (Soalgo), deve aos cofres públicos CR$280 milhões em alimentos que desviou ou deixou de deteriorar em seus armazéns situados em Goiânia (GO). O deputado Pedro Abraão tem uma dívida calculada em CR$89,2 milhões pelos alimentos que estocou e deixou deteriorar nos armazéns de sua empresa Goiazem, também de Goiânia. O empresário Olacyr de Moraes deve à CONAB através da empresa Itamarati S/A Armazéns Gerais Ltda., de Mato Grosso, cerca de CR$26,6 milhões. Através da empresa J.J. Armazenador de Cereais Ltda., com sede em Anápolis (GO), o empresário Jefferson Cardoso acumulou com o governo uma dívida de CR$21,3 milhões. A relação dos 50 maiores devedores da CONAB se devem a desvios e deterioração de alimentos que faziam parte dos estoques estratégicos usados pelo governo para reduzir os preços dos alimentos básicos nos mercados de todo o país. Segundo denúncia da Associação de Servidores da CONAB (Asnab), somente em junho o órgão gastou sem necessidade CR$400 milhões com armazenagem e conservação. Os servidores asseguram que o órgão teria capacidade de estocar em seus próprios armazéns 1,5 milhão de toneladas de grãos comprados pelo governo federal aos produtores, ao invés de pagar pelo serviço. A associação diz que a CONAB tem capacidade de armazenar cerca de três milhões de toneladas de grãos e só armazena 380 mil toneladas. Os 200 armazéns do Nordeste são os mais ociosos. Os ministros da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, e da Agricultura, Barros Munhoz, decidiram ontem liberar a distribuição de 150 mil toneladas de alimentos dos estoques públicos para 1,5 milhão de famílias flageladas pela seca do Nordeste. Serão distribuídos, numa primeira etapa, 37.500 toneladas de arroz, feijão, milho e farinha de mandioca. Serão atendidos 1.060 municípios, e o governo federal garantirá o transporte dos alimentos até 44 pólos (JB) (O Globo).