O presidente Itamar Franco nomeou ontem o embaixador do Brasil em Washington (EUA), Rubens Ricúpero, de 56 anos, para o cargo de ministro Extraordinário para Articulação de Ações na Amazônia. Para justificar a escolha do embaixador, o porta-voz da Presidência, Francisco Baker, informou que ele é um diplomata experiente, estudioso de assuntos da Amazônia, foi chefe do Departamento das Américas do Itamaraty e ajudou a formular o Pacto Amazônico. Em 1977, Ricúpero participou da redação do Tratado de Cooperação Amazônica, assinado por todos os países da região. Esse tratado, agora, é visto pelo governo brasileiro como base para uma ação diplomática de curto prazo, que objetiva ampliar a cooperação em todas as áreas entre os governos da região amazônica. A proteção das fronteiras da Amazônia tornou-se o assunto mais relevante na agenda do governo, que ainda não conseguiu determinar a dimensão do massacre dos índios yanomamis em Roraima. Para tentar saber se houve ou não o massacre dos índios yanomamis, o presidente Itamar Franco determinou que o Ministério da Justiça promova em toda a reserva uma perícia criminal. A força de elite da Polícia Federal, o COT (Centro de Operações Táticas), vai amanhã para Roraima com a missão de esclarecer se houve ou não o massacre. Por determinação do Ministério da Justiça, foi limitado ontem o acesso à reserva de qualquer pessoa que não pertença à FUNAI, à PF ou à FNS (Fundação Nacional de Saúde). O Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam) contará com mais US$1,2 bilhão para a instalação de equipamentos destinados à vigilância da região amazônia. Para instalação do sistema já havia sido liberada a quantia de US$600 milhões. Com a nova verba, o projeto custará ao Tesouro cerca de US$1,8 bilhão. O episódio yanomami serviu para apressar a intenção do governo, por sugestão da área militar, de instalar um sofisticado sistema de vigilância na área. O Sipam cuidará desde o equilíbrio ecológico até a preservação das reservas indígenas, passando pela fiscalização das fronteiras, combate às atividades ilegais e fiscalização da navegação aérea e fluvial (O ESP) (JC) (GM) (FSP).