ITAMAR CRIA MINISTÉRIO DA AMAZÔNIA

Depois de ficar reunido por mais de três horas com os integrantes do Conselho de Defesa Nacional, o presidente Itamar Franco decidiu ontem criar uma estrutura especial da Polícia Federal em Surucucu (Roraima) para a apuração completa da chacina dos índios yanomamis da aldeia Hoximu. Após consultar o Conselho, Itamar resolveu também designar um ministro extraordinário-- cujo nome ainda não foi divulgado-- para a articulação de ações da Amazônia Legal. A delegacia especial da PF irá funcionar com o apoio de recursos humanos e materiais das Forças Armadas e de outras agências do governo. Também foi aprovado pelo Conselho a implantação urgente do Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam). Este programa é desenvolvido pelo Ministério da Aeronáutica e vai fiscalizar, através de radares, as fronteiras brasileiras. O Ministério Extraordinário para Articulação de Ações na Amazônia irá administrar US$1,2 bilhão, destinado ao Sipam. Ontem, dois diplomatas estrangeiros-- Alain Latulippe, do Canadá, e Diana Page, dos EUA-- foram proibidos pelo governo de visitar a reserva yanomami, embora tivessem autorização do presidente da FUNAI, Cláudio Romero. Fontes do governo observaram que a proibição partira do Exército, porque Surucucu é uma base militar. Além da autorização da FUNAI seria preciso a dos militares. O procurador-geral da República, Aristides Junqueira, que participou da reunião do Conselho de Defesa Nacional, anunciou que vai esperar o resultado das investigações federais sobre o massacre-- sobre o qual a FUNAI produziu um detalhado relatório, mas ainda não se encontraram os corpos dos 73 índios chacinados-- para decidir se instala, ou não, um inquérito responsabilizando a União pelo massacre. A PF inocentou ontem os três garimpeiros que se entregaram ao posto da FUNAI e passaram a ser investigados como suspeitos de participação no massacre. Eles foram libertados por terem sustentado com convicção que não estiveram na área do massacre e sequer sabiam que tinha ocorrido. Entidades internacionais de defesa dos direitos humanos fizeram ontem novos protestos contra o massacre de yanomamis no Brasil. A organização Americas Watch, sediada nos EUA, enviou carta ao presidente Itamar Franco em que declara sentir-se Indignada" com a matança. Em Paris (França), o presidente da organização Médicos do Mundo, Patrick Aeberhard, sugeriu a entrada da Organização das Nações Unidas (ONU) no caso. Ele afirma que a defesa dos yanomamis é de responsabilidade "de toda a humanidade, e não só do Brasil". A organização tem uma missão entre os yanomamis desde 1984 (GM) (FSP) (JB).