O Mercado Comum do Cone Sul deu mais um passo rumo à integração, com o lançamento do anuário "MERCOSUL: Sinopse Estatística", realizado ontem, durante a Bienal Internacional do Livro, no Rio de Janeiro (RJ). A iniciativa foi da Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e contou com a participação dos institutos de estatísticas do Paraguai, do Uruguai e da Argentina. Além de dados numéricos, o livro contém textos do ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, do embaixador brasileiro junto ao MERCOSUL, Rubens Barbosa, do cientista político Hélio Jaguaribe, e do ex-ministro Celso Furtado. Com periodicidade anual, a próxima edição do anuário deverá sair em 1994, editado pelo governo argentino, e com programação, nos anos subsequentes, pelo Paraguai e pelo Uruguai. Segundo dados da Comissão Econômica para a América Latina (CEPAL) publicados no anuário, a dívida externa brasileira representou, em 1991, cerca de 64% do total da dívida dos países do MERCOSUL. Naquele ano, a dívida externa brasileira era de US$119,7 bilhões, ou 24% do Produto Interno Bruto (PIB). Os dados indicam que, no mesmo ano, a dívida externa argentina chegava a US$60 bilhões (93% do PIB), a do Uruguai alcançava US$7,18 bilhões (79% do PIB) e a do Paraguai atingia US$1,78 bilhão (29% do PIB). Ainda de acordo com dados da CEPAL publicados no anuário, o Brasil responde por quase 80% da produção de energia elétrica do MERCOSUL. Em 1989, o Brasil produziu aproximadamente 230 bilhões de quilowatts-hora (kWh), quando em 1970 essa produção não passava de 46 bilhões de kWh. Nesses 19 anos, também o Paraguai saltou dos 218 milhões de kWh para 2,8 bilhões de kWh. Além de responder por 80% da produção energética do MERCOSUL, o Brasil também se apresenta como o país que mais consome energia elétrica: a taxa média anual chegava aos 8,3% em 1986, praticamente a mesma registrada em 1989 (8,6%)-- a maior entre os quatro países. Os dados indicam, porém, uma forte desaceleração no crescimento da produção energética do Brasil, em 1987 (3,5%), recuperando-se no ano seguinte (5,8%). A publicação do IBGE informa, ainda, que, no geral, a população está crescendo menos nos quatro países: a taxa de crescimento anual no Brasil passou para 1,9%, de acordo com o censo de 1991, contra os 2,4% do período 1970/1975. Na Argentina, a taxa está em 1,2%; no Paraguai, em 2,7%; e no Uruguai, 0,6%. E que a população urbana vem crescendo em relação à rural. Ainda quanto a dados econômicos, o anuário revela que o Brasil é o maior importador da região: em 1990, o Brasil exportou US$1,3 bilhão para seus parceiros no MERCOSUL, mas importou 85% dos US$594 milhões exportados pelo Uruguai; 82% dos US$380 milhões exportados pelo Paraguai; e quase 78% do US$1,8 bilhão argentino (JC) (GM) (O Globo).