Trinta chefes indígenas yanomamis decidiram, em assembléia realizada na madrugada de ontem, em Homoxi (400 km de Boa Vista, RR), exigir indenização dos garimpeiros e proprietários de equipamentos de garimpo responsáveis pelo massacre dos 73 índios. O líder dos yanomamis, Davi Kopenawa, disse que a indenização será reivindicada pela FUNAI, que tem tutela dos indígenas e sua representação legal. "Perdemos parentes. Quero cobrar isso dos garimpeiros", disse o chefe indígena Eroão Yanomami. Os índios decidiram que as buscas aos garimpeiros não serão feitas pelos yanomamis, para evitar novos conflitos. Ontem, a Polícia Federal deteve três garimpeiros na base aérea de Surucucus. Eles trabalhavam na região da chacina. Francisco Borba, um dos garimpeiros, disse à PF e à FUNAI que "há muitas armas, espingardas e facões" nos garimpos da reserva. Os três disseram que se apresentavam porque estavam com fome e sem comida, e negaram participação na chacina. O garimpo em que trabalhavam deixou de ser abastecido quando a FUNAI cortou os vôos para a região. Além de Borba, seu filho, José Roberto Borba (17 anos), e Nilson dos Santos também estão detidos. Cerca de 1.100 garimpeiros deixaram a reserva yanomami na semana passada, segundo os seus próprios líderes. A repercussão do massacre dos índios aumentou a fiscalização na área e assustou os garimpeiros. Eles temem que a PF e a FUNAI, em vôos constantes pela área, em busca de provas materiais da chacina, os localizem e os expulsem da região. Os líderes que retornaram a Boa Vista acreditam que ainda permaneçam no local cerca de 450 garimpeiros. O sertanista Francisco Bezerra de Lima entrevistou dois sobreviventes yanomamis e acha que a chacina ocorreu longe da maloca dos índios na aldeia de Haximu. Segundo ele, os corpos foram enterrados pelos assassinos e não cremados pelos índios. As embaixadas do Canadá e dos EUA enviaram dois diplomatas a Roraima para acompanhar as investigações da chacina. Os governos dos dois países querem informações mais detalhadas sobre o caso. O ministro da Justiça, Maurício Corrêa, apresentará proposta hoje na reunião do Conselho de Defesa Nacional para que o governo acelere a implantação do Sipam (Sistema de Proteção da Amazônia), incluindo a instalação de 17 radares na região. O ministro disse que essa é a única forma de o governo controlar a Amazônia Legal e evitar novos incidentes, como o caso do massacre dos índios yanomamis. Ele também sugerirá na reunião a criação de uma "delegacia ambulante" em Surucucus (RR), para ajudar nas investigações do massacre. O presidente Itamar Franco disse que não houve negligência do governo no episódio. Para ele, há dúvidas quanto à dimensão do massacre. "O importante não é haver vítimas ou não. Precisamos é estar atentos à Amazônia", afirmou (FSP) (O ESP) (O Globo) (JB).