Os responsáveis por estratégias de marketing e criação de campanhas publicitárias de empresas brasileiras que exportam mercadorias para os vizinhos do sul devem providenciar com urgência um dicionário de língua espanhola. É o que se deduz da leitura de uma pesquisa conduzida pela Standard, Ogilvy & Mather, ao revelar que, a despeito do ponderável peso econômico do Brasil na região, as marcas argentinas ainda são as mais conhecidas do MERCOSUL. Praticamente por unanimidade (98%), um grupo de 538 executivos, que foi selecionado entre as 500 maiores empresas da Argentina, Brasil, Uruguai e, em menor número, do Paraguai, não teve dificuldade de mencionar uma marca de produto argentino. As marcas nacionais aparecem no segundo lugar, sendo mencionadas por 85% dos entrevistados. No levantamento, intitulado "MERCOSUL: a Visão do Desafio", os pesquisadores alinharam 33 marcas que receberam ao menos uma citação de representantes dos quatro países. Também nesse ranking, batizado de marcas mercosulinas, a Argentina desponta na liderança, com 17 citações contra 13 do Brasil e três do Uruguai. Nenhuma marca paraguaia obteve colocação. A Argentina é o país mais associado (62%) à região do Cone Sul, mas é o Uruguai que desfruta do índice mais elevado de imagem positiva, avalizada por 72% dos executivos das outras nacionalidades. Menor parceiro em extensão territorial, o país é lembrado pelo turismo atraente, bom mercado consumidor e setor financeiro sofisticado, que já lhe valeu o título de "Suíça latina". No espelho de projeções proposto pela pesquisa, o Brasil obtém índices próximos do Uruguai (55% e 59%, respectivamente), no que diz respeito aos negócios. Mas o Uruguai, dos quatro países investigados, é o único citado como "eficiente e sério". Apenas 3% dos entrevistados, justamente os executivos brasileiros, se referem a operações financeiras escusas. A Argentina, embora tenha o maior número de marcas reconhecidas, é o país menos lembrado por negócios. Metade (51%) dos entrevistados aponta vantagens na integração das economias, traduzidas por "fortalecimento mútuo" e "ampliação dos negócios". Apostam que o MERCOSUL é irreversível e vai dar certo. Dos 538 entrevistados, 25% ponderam que é necessário tempo para aplainar conflitos entre os parceiros. Já o time de pessimistas (20%) aponta os graves problemas econômicos e os empecilhos burocráticos como entraves à materialização do acordo. O aspecto mobilizador do MERCOSUL fica patente no baixo índice de indefinições e não respostas: 4% (FSP).