Os servidores públicos federais preparam uma campanha nacional contra o fim da estabilidade, tema da revisão constitucional prevista para começar em outubro próximo. Apoiados pela CUT (Central Única dos Trabalhadores), pela CGT (Confederação Geral dos Trabalhadores) e por sindicatos influentes, como os de bancários e petroleiros, eles se organizaram em um Fórum Nacional para, num primeiro momento, tentar adiar a própria revisão. Caso não consigam, querem, pelo menos, preservar as conquistas do texto atual. O Comando Nacional já está providenciando farto material de propaganda, cartazes e painéis para acompanhamento da votação, além de uma mala direta aos congressistas. Determinados, os servidores estão levantando os custos de uma campanha em cadeia nacional de televisão para sensibilizar a sociedade e os políticos em torno de sua causa. Pesquisa do DIAP (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar) revela a tendência de como os parlamentares pretendem votar a estabilidade: manter texto atual (45,5%); eliminar qualquer estabilidade (13,4%), manter só em algumas funções (14,1%); só após 10 anos (13,9%); sem opinião (11,1%); e outra opinião (1,7%). Os servidores federais com estabilidade, vinculados à administração direta da União, autarquias e fundações públicas, somam 567.895 em todo o país. Com os 308.903 inativos, totalizam 907.616 contra-cheques, que consumirão este ano, segundo o Ministério da Fazenda, cerca de US$28,8 bilhões, quase 50% da receita líquida da União, estimada em US$50 bilhões. A relação é de 10 servidores para cada mil habitantes, enquanto na Espanha é de 53 e na Itália de 65. A distorção está no profissionalismo e na distribuição funcional. No Brasil, apenas 11% dos servidores estão lotados em atividades fins (assistência à saúde, educação, segurança, pesquisa e prestação de serviços essenciais), enquanto 89% estão nos gabinetes das repartições, exercendo atividades burocráticas (O ESP).