O governo começa no próximo dia 24 a incinerar ou depositar em aterros sanitários, em várias partes do país, cerca de 377 toneladas de alimentos que se deterioraram em armazéns da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB). Essa quantidade de alimentos é resultado do mau gerenciamento dos estoques oficiais, segundo relatório que o ministro da Agricultura, Antônio Barros Munhoz, apresentou ao presidente Itamar Franco. O relatório informa que 2,6 mil toneladas de grãos ficaram deterioradas, nove mil toneladas sumiram dos estoques regulares da CONAB, 33,5 mil toneladas de grãos estão perdendo a qualidade, 60 mil toneladas de milho armazenadas a partir de 1988 foram consideradas abaixo do consumo e 20 mil processos foram abertos contra armazéns credenciados pela CONAB por falta, desvio ou perda de qualidade, correspondente a CR$9 bilhões. Munhoz informou também ao presidente que a CONAB deverá leiloar este mês um milhão das 1,3 milhão de toneladas de grãos dos estoques reguladores, o que será um recorde nas vendas realizadas pela companhia. A venda de todo esse estoque, composto basicamente de arroz, milho, feijão e trigo, segundo o ministro, será feita para reduzir os preços desses produtos ao consumidor. Em pronunciamento em rede de rádio e televisão, o ministro da Agricultura anunciou a assinatura de portarias regulamentando a participação de entidades civis nas fiscalização e destinação dos estoques de alimentos do governo. Uma das portarias autoriza prefeitos, produtores, comitês da cidadania e trabalhadores rurais a constituírem comissões de fiscalização dos estoques em armazéns credenciados pela CONAB. Depois de afirmar que a CONAB foi "uma das mais pesadas e vergonhosas heranças" recebidas pelo governo Itamar, o ministro revelou novos números: dos 2,2 milhões de toneladas estocadas até o final do governo passado, 2.520 toneladas eram de produtos desclassificados. Desse total, 1.313 toneladas eram de produtos deteriorados, inadequados ao consumo. Segundo Munhoz, 261 toneladas já foram destruídas, 150 toneladas indenizadas pelos armazéns credenciados, 525 toneladas encontram-se em discussão na Justiça e 377 toneladas serão destruídas a partir da próxima semana. O ministro disse, ainda, que encaminhou ao presidente projeto de lei que altera a legislação de armazenagem, com novo modelo de contrato de prestação de serviços com armazéns privados. Anunciou, também, a demissão de dois diretores da CONAB: Nelson Ribeiro, de Operações, e Alex Gonçalves dos Santos, de Abastecimento, substituídos, respectivamente, por Jobi Medrado Brasileiro e José Osvaldo Tibúrcio Oliveira (JB) (O Globo) (JC).