O empresário Chico Recarey foi acusado formalmente ontem, na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara dos Deputados que investiga a prostituição infanto-juvenil, de se beneficiar do aliciamento de menores em suas casas noturnas, entre elas a Help, em Copacabana, zona sul do Rio de Janeiro (capital). A denúncia, feita pela prostituta Gabriela Silva Leite, diretora da Associação de Damas da Vida do Rio, vai ser investigada pelo Ministério Público e pela Justiça e pode resultar na quebra do sigilo bancário do empresário. Estima-se que 30 mil menores se prostituem no Rio de Janeiro, sendo mais de quatro mil meninos só na capital. O juiz de Menores do Rio, Siro Darlan, disse que, embora a polícia tenha conhecimento dessas denúncias, não há repressão contra essas casas noturnas. Chico Recarey disse que "não tem nenhuma gerência sobre a Help", da qual é sócio cotista. "Quem toma conta da Help são os sócios Avelino Parentes e Benino Pontes Iglesias", disse. A prostituição infanto-juvenil chega a movimentar em torno de quatro mil meninos no Rio durante o verão, quando o fluxo de turistas na cidade alcança o ponto máximo. Os maiores clientes desses garotos de programa são norte-americanos e alemães, segundo o estudo "Prostituição Masculina e Risco de Transmissão da AIDS", feito pelo Núcleo de Orientação em Saúde Social (NOSS) para a Organização Mundial de Saúde (OMS). Foi descoberto que a maioria dos garotos (87,3%), de idade entre 11 e 17 anos, frequenta a escola regularmente. A contaminação dessa população pela AIDS está em torno de 42%, mas o uso de preservativos é alto: 78,9% os utilizam para prevenir doenças sexuais e 33,8% afirmam ter feito o teste anti-HIV. A pesquisa, no entanto, não apurou quantos estão contaminados pelo vírus. O trabalho foi entregue ontem à CPI da prostituição infanto- juvenil (O ESP) (JB).