TRF DETERMINA ABERTURA DE ARQUIVO SOBRE GUERRILHA

O Tribunal Regional Federal (TRF) de Brasília (DF) deu ontem, por unanimidade, ganho de causa a 23 famílias de guerrilheiros mortos pelas Forças Armadas na "guerrilha do Araguaia", que durou de 1972 a 1974. Com a decisão, a União fica obrigada a abrir os arquivos do Exército para que as vítimas do conflito sejam localizadas e os seus restos entregues às famílias para sepultamento. A União foi também condenada a uma multa de CR$100,00 ao dia, retroativos a 12 de abril de 1982, quando a ação foi impetrada na Justiça, até a data da sentença. A "guerrilha do Araguaia", desencadeada pelo PC do B, então clandestino, ocorreu no Sul do Pará, na região conhecida como Bico do Papaguaio. Foram mortos 60 guerrilheiros, entre os quais o ex-deputado federal Maurício Grabois e os líderes comunistas Oswaldo Orlando da Costa e Dinalva Oliveira. O deputado federal José Genoíno (PT-SP) é um dos nove sobreviventes da guerrilha. Como a União nunca reconheceu as mortes, as vítimas são até hoje dadas como desaparecidas, causando transtornos aos familiares-- as viúvas e filhos até hoje não recebem pensão (O ESP).