BRASIL PERDE US$6 BI EM RESERVAS CAMBIAIS EM 11 MESES

Segundo as informações, a adoção de uma política cambial inadequada após o Plano Cruzado, a explosão da demanda interna devido ao crescimento do salário real em 1986 (perto de 20%) e a ineficiente estratégia de importação de alimentos, máquinas e equipamentos foram as causas principais que levaram o país a perder, em 11 meses, US$6 bilhões de suas reservas internacionais. Foi quanto gastou, na prática, o Plano Cruzado em um ano depois. Números extra-oficiais mostram que as reservas caíram a seu nível mais crítico desde o chamado "setembro negro" de 1982, quando os banqueiros internacionais assustados com a quebra do México, fecharam suas carteiras de empréstimos ao Brasil. Embora o ministro da Fazenda, Dílson Funaro, negue constantemente, tem-se como correta a informação de que o país dispõe apenas de US$2 bilhões em caixa. Com a compra externa de alimentos (incluíndo além da carne, leite em pó, milho e arroz), o país contraiu dívidas equivalentes a US$1,200 bilhão. A perda competitiva das exportações brasileiras no mercado internacional levou os saldos mensais a caírem de US$1 bilhão para cerca de US$150 milhões, a partir de outubro de 1986. Sendo assim, o superávit comercial que havia sido de US$12,500 bilhões em 1985, baixou para US$9,700 bilhões em 1986. Para 1987, a previsão é de um saldo de US$8 bilhões (JB).