RESERVA CHICO MENDES ESTÁ ABANDONADA

Criada em 1990 com quase um milhão de hectares que cobrem cinco municípios acreanos, a Reserva Chico Mendes está abandonada. Seus 2.300 seringueiros ganham meio salário-mínimo, não têm médicos nem escolas para os filhos e enfrentam saques de madeiras nobres. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), com 32 funcionários no Acre, alega que nada pode fazer. Quando a borracha dos seringueiros da reserva não é trocada por mercadorias e é vendida a dinheiro brasileiro, o produto chega a alcançar apenas CR$25 o quilo, bem abaixo do preço mínimo de CR$69 estabelecido pelo IBAMA para o quilo da placa bruta defumada (os seringueiros vendem a borracha em bola ou em placa). Como a produção média de um seringueiro chega anualmente a mil quilos, isto equivale a dizer que sua renda média mensal não ultrapassa os CR$2.100. O Conselho Nacional dos Seringueiros calcula que, de janeiro a julho deste ano, já foram derrubadas e contrabandeadas na reserva extrativista Chico Mendes, e em outras do Acre, mais de quatro mil árvores de mogno, cedro, cerejeira e castanheira, madeiras de lei de grande cotação no mercado internacional. Vendidas em Rio Branco, na capital do estado, essa quantidade de madeira, pela estimativa do conselho, pode representar para seus contrabandistas mais de CR$100 milhões. Segundo denunciou a assessora do conselho, Benedita Esteves, as madeiras estão sendo retiradas ilegalmente por dezenas de madeireiras clandestinas de Rio Branco, que usam a população pobre da periferia da cidade para invadir os fundos das reservas extrativistas e de lá retirar semanalmente centenas de toras de madeira de lei. Segundo ela, toda essa madeira vem sendo transportada por caminhões principalmente para São Paulo, onde é beneficiada e exportada. "O IBAMA só atua quando o conselho pressiona e, mesmo assim, quando emprestamos um veículo", denuncia a assessora, ao afirmar que funcionários do órgão "estão sendo corrompidos para colaborar com o roubo da madeira das reservas extrativistas" (O Globo).