RIO DE JANEIRO TEM MAIS "EDUCADORES" QUE MENORES NAS RUAS

Os salários variam de US$80 a US$500 (de CR$7,1 mil a CR$48 mil) e não é preciso formação acadêmica. Para ser "educador de rua" numa Organização Não-Governamental (ONG), basta ter disposição para ganhar a vida às custas da manutenção de um círculo vicioso que mistura omissão do governo, oportunismo e miséria. Segundo cálculos do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (IBASE), existem apenas 692 menores que, efetivamente, dormem nas ruas do Rio de Janeiro (capital), mas só no ano passado os cursos de formação ou reciclagem dos "educadores de rua" atraíram cerca de 800 interessados. O ofício, não regulamentado pelo Ministério do Trabalho, surgiu há cerca de oito anos, na ausência de uma política oficial eficaz de atendimento às crianças e adolescentes que vivem na rua. De início, a filosofia era conquistar a confiança dos menores e atrai-los para um processo pedagógico-- em última análise, tirá-los da rua. Depois, o trabalho se sofisticou: em 1992, uma única ONG, o Movimento Nacional dos Meninos e Meninas de Rua, promoveu 49 cursos de formação básica de educadores no Rio. Hoje, existe até um movimento para a criação de uma associação para regulamentar a profissão. A pesquisadora Lícia Valladares, do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (IUPERJ), lembra que o fenômeno das ONGs não é exclusividade do Brasil e acontece em outros países pobres onde as políticas sociais são frágeis. De 1990 a 1992, ela coordenou o levantamento de todas as instituições que assistem crianças carentes e meninos de rua no Rio de Janeiro. O estudo deu origem ao livro "Ação Invisível", que teve uma edição em inglês. Das 602 instituições e projetos listados pelos pesquisadores, 43 estão diretamente ligados à assistência de menores de rua. No prefácio, Lícia destaca o desaparecimento de 19 grupos e o surgimento de outros 27 no curto espaço de tempo entre as duas edições do livro (de maio de 91 a maio de 92). Várias instituições já desapareceram por falta de verbas. Há muito o
75263 que ser melhorado nesse atendimento e entre os profissionais que trabalham
75263 nessas campanhas, diz Lícia (O Globo).