Uma nova entidade, nascida na Central Única dos Trabalhadores (CUT), mas em vez de sindicatos arregimentará movimentos e associações populares de todo o país, será criada em outubro com o apoio do Partido dos Trabalhadores (PT). Trata-se da Central de Movimentos Populares (CMP), que será fundada no I Congresso Brasileiro de Movimentos Populares. A idéia é aglutinar forças políticas de cerca de um milhão de integrantes dos movimentos populares, como os dos sem-teto, dos sem-terra e dos grupos ecológicos, entre outros. Segundo Paulo Cohen, coordenador da Pró-Central, ligada à CUT, "a união de todos os movimentos populares dará força a reivindicações isoladas e maior poder de pressão frente a vereadores, deputados e aos executivos em todos os níveis". Cohen, que também coordena o Movimento Comunitário de Belém (PA), garante que a CMP não tem atrelamento a qualquer partido político. Ele diz que as organizações populares mais fortes são os movimentos pró-moradia, comunitários, de saúde, ecológicos e de favelados. Segundo a ONU, o Brasil é o país que tem hoje o maior número de movimentos populares do mundo. A socióloga Sônia Hipólito, secretária nacional dos Movimentos Populares do PT, que faz a ligação do partido com os movimentos populares, desmente que a CMP se constituirá em mais uma base de apoio para a candidatura de Luís Inácio Lula da Silva à Presidência da República em 1994. "A CMP não é uma entidade do PT e, ao contrário do que se supõe, pesquisa feita durante a plenária de São Bernardo do Campo mostrou que 70% dos movimentos populares não só não eram filiados a partidos políticos, como mostravam até certo descrédito em relação a atuação deles. A CMP vai se manter financeiramente com a contribuição dos movimentos de todos o país e terá estrutura semelhante à da CUT, subdividida em direções estaduais e municipais. No Rio de Janeiro, mais de 300 mil pessoas estão ligadas aos movimentos populares, 100 mil das quais só nos movimentos de favelados, segundo a diretora da Executiva Nacional do Pró- Central, Aparecida Gonçalves (O Globo).