A Polícia, a Justiça e o Ministério Público do Rio de Janeiro conhecem pelo menos três pontos de encontro de integrantes de grupos de extermínio. São dois bares e uma praça, todos em Duque de Caxias, município da Baixada Fluminense. Neles, com jeito e apresentação de alguém conhecido, se consegue contratar um ou mais pistoleiros, para encomendas na capital e no interior. Nem a recente chacina de oito menores na Candeláraia afugentam os exterminadores. Eles continuam a se reunir nos locais conhecidos, afirma a promotora Tânia Maria Salles Moreira, da 4a. Vara Criminal de Duque de Caxias. Perseguida pelos exterminadores, a promotora convive há três anos e meio com três policiais militares, que, armados, a protegem dia e noite. Ela diz que os homicídios praticados por grupos de matadores podem sair até de graça, "afinal todo profissional precisa treinar senão perde a embocadura". Para contratar um grupo de extermínio não basta chegar ao ponto de encontro e anuncia sua intenção, sob o risco do interessado em matar se transformar rapidamente em morto. É preciso uma apresentação por parte de conhecidos, geralmente comerciantes que se valeram dos serviços dos exterminadores. Os grupos de extermínio surgiram na década de 60, na Baixada Fluminense. Tinham, diz o diretor do Departamento Geral de Polícia da Baixada (DGPB) da Polícia Civil, Paulo Souto, o objetivo de dar segurança aos bairros da região, uma das mais pobres do estado e acossada por assaltantes e ladrões de casas e lojas. Formado por policiais militares, civis e rodoviários, bombeiros, guardas de segurança, vigilantes noturnos e militares das Forças Armadas, os grupos logo diversificaram suas atuações. Passaram a trabalhar sob encomenda, na maioria das vezes contratados por pequenos comerciantes locais (FSP).