As duas maiores centrais do país-- Central Única dos Trabalhadores (CUT) e Força Sindical-- travam uma disputa acirrada para aumentar e fortalecer suas bases. Uma estrutura sindical unificada e gigantesca é a principal estratégia da CUT, que este ano comemora uma década de existência com uma representação de 17 milhões de trabalhadores. A intenção, segundo o secretário de política da Central, Miguel Rosseto, é criar supersindicatos, com bases superiores a 100 mil trabalhadores, agrupados por regiões territoriais ou ramo de produção. Exemplo dessas superentidades trabalhistas são os químicos e plásticos de São Paulo, cuja unificação deverá ser definida no próximo mês, e os metalúrgicos do ABC paulista, unidos em março último. A Força Sindical, com dois anos de existência e representando cerca de seis milhões de trabalhadores, vem ganhando território com a filiação de confederações e federações. Em setembro, a adesão da Federação dos Metalúrgicos de São Paulo irá representar um total de 700 mil metalúrgicos na base da central, ante os 350 mil da CUT. Maior número de filiados significa às centrais maior poder de fogo nas negociações e garantia de melhores condições de sobrevivência financeira. No campo político, a disputa se volta atualmente para a revisão constitucional-- a Força Sindical é a favor, a CUT contra. No econômico, um sindicato mais representativo pode conseguir melhores acordos salariais junto ao setor patronal (GM).