O presidente Itamar Franco vai assumir pessoalmente o comando da distribuição de 363 mil toneladas de alimentos dos estoques da CONAB (Companhia Nacional de Abastecimento) para os flagelados pela seca no Nordeste. Itamar reuniu-se ontem com os integrantes do Consea (Conselho Nacional de Segurança Alimentar) e resolveu assumir a coordenação da operação, depois que o sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, secretário-executivo do IBASE (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas), insistiu que esta seria a única forma de fazê-la de maneira ágil e eficiente. "O presidente terá responsabilidade direta na operação de distribuição de alimentos para os que enfrentam a seca", disse Betinho. O Ministério da Agricultura já tem pronto plano de distribuição dos alimentos, que fazem parte dos estoques de arroz, milho, feijão e trigo do governo sob risco de deterioração, caso não sejam consumidos imediatamente. O plano tem custo estimado em US$58 milhões, a serem divididos pelos governos federal e estaduais. Já está decidido, porém, que a distribuição dos alimentos (que ainda não se sabe se será feita sob a forma de cestas) deverá ser realizada pelo Exército. Na reunião, o presidente estabeleceu, também, prazo de 10 dias para que o Ministério da Agricultura e a CONAB apresentem relatórios sobre a distribuição de 1,3 mil toneladas de feijão que apodreceram nos armazéns do governo. Itamar, segundo informou Betinho, quer que a investigação apure se houve irregularidades e os nomes dos responsáveis. A próxima reunião do Consea será nos dias 16 e 17. Preocupado com a falta de colaboração de alguns ministros com o Programa Nacional de Combate à Fome, Betinho criticou a morosidade do governo em adotar medidas práticas para acabar com a fome no país. Betinho disse que não pensa em abandonar o programa porque ainda acredita na vontade do presidente Itamar Franco em priorizar o combate à fome. "Eu acho que vontade política do presidente existe. Mas precisa haver uma sintonia entre o governo e a vontade dele. São muitas vozes, algumas mais ágeis e outras muito lentas", criticou. "Basta ler o noticiário dos últimos 15 dias e contabilizar o que cada ministério está fazendo para acabar com a fome e a miséria para ver algumas presenças, mas muitas ausências", apontou (JC) (GM) (FSP) (O Globo) (JB).