O Brasil apresentou ontem na Comissão de Direitos Humanos das Nações Unidas, em Genebra (Suíça), as medidas que tomou para punir os responsáveis pela chacina das crianças na Candelária, no Rio de Janeiro (capital), ocorrida em 23 de julho, quando oito menores de rua foram assassinados. Além de recomendações feitas durante a última reunião do Conselho Nacional da Criança e do Adolescente, a prisão dos policiais suspeitos do crime e o afastamento do comandante do batalhão a que estavam subordinados foram apontados como provas do "empenho dos governos federal e estadual em assegurar uma investigação rápida do crime e a condenação judicial de seus autores". A Organização Mundial Contra a Tortura (OMCT), porta-voz de 200 ONGs (Organizações Não-Governamentais), propôs à Comissão da ONU a designação de um perito para investigar os assassinatos de crianças de rua no mundo inteiro. Entretanto, apesar da gravidade do problema no Brasil, as ONGs presentes em Genebra acreditam numa evolução positiva. "O recente massacre no Rio não é mais do que um triste exemplo de uma realidade comum a vários países. Mas o despertar da opinião pública, chocada com a arbitrariedade e a crueldade do massacre do Rio, é um sinal encorajador", disse Ester Bron, da OMCT (JB).