A Câmara dos Deputados deu ontem mais um passo para assumir o controle total dos trabalhos da revisão constitucional e aprofundou a crise no relacionamento com o Senado Federal. Os líderes dos partidos na Câmara decidiram que o presidente será eleito por deputados e senadores. Como os deputados são maioria (503 contra 81 senadores), a decisão significa que a presidência da revisão ficará com a Câmara. Os líderes na Câmara decidiram também que, além da presidência, os deputados devem ficar com a relatoria da revisão marcada para outubro. O relator seria indicado pelo presidente eleito. A decisão irritou o presidente do Congresso Nacional, senador Humberto Lucena (PMDB-PB), que pretende presidir automaticamente a revisão, sem a realização de eleição. Se não houver entendimento a respeito do início da revisão, os deputados pretendem colher 293 assinaturas em apoio à autoconvocação. Com a autoconvocação, a revisão poderia ser iniciada à revelia de Lucena (FSP).