Seis dias após ser tornada pública a primeira denúncia de prática de tortura em treinamentos da Polícia Militar do Distrito Federal-- ocorrida em agosto de 1990--, a mãe de uma vítima fatal denunciou ontem que a prática já acontece desde pelo menos abril de 1988. Nessa época, o recruta Nilton Soares de Almeida, então com 19 anos, morreu nove dias após ficar em coma depois de desmaiar num treinamento numa tubulação com gás lacrimogêneo. A denúncia foi feita pela mãe do recruta, Francisca Lourdes de Almeida, que depôs no encerramento da reunião dos cabos e soldados da PM, na Câmara dos Deputados. Ela foi reclamar duas coisas: a falta de punição dos envolvidos na morte do seu filho e o descaso do governo, que só lhe paga uma pensão mensal e está recorrendo de uma indenização. A tortura no treinamento da PM em 1990 já está sendo investigada pelo CDDPH (Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana). Aconteceu no dia 17 de agosto daquele ano, na véspera da formatura das vítimas. Os maus tratos, aplicados por oficiais, foram documentados em vídeo. No vídeo, narrado por um oficial não identificado, há uma "prova" denominada batizado do padre Esmeraldo. Consiste na ingestão de uma mistura de pimenta, sal e provavelmente sangue de animal. Os soldados também foram submetidos a dor física, parecendo dois deles sangrando na cabeça e no rosto. Um foi obrigado a desfilar com um pneu no pescoço (FSP).