HERBERT DE SOUZA PEDE EMPREGOS A PREFEITOS

O sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, secretário-executivo do IBASE (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas), pediu a cada prefeitura para dar prioridade à geração de empregos, pelo menos por um ano, como forma de combater a miséria e a indigência que atingem 32 milhões de brasileiros. Ele quer transformar a campanha nacional contra a fome na "campanha dos prefeitos". A idéia foi lançada ontem, no Recife (PE), em um encontro com prefeitos de capitais, ao qual compareceram apenas quatro do total de 27-- Paulo Maluf (PPR), de São Paulo (SP); Lídice da Mata (PSDB), de Salvador (BA); Darci Acorsi (PT), de Goiânia (GO); e Jarbas Vasconcelos (PMDB), do Recife. Betinho propôs que as prefeituras gastem suas verbas prioritariamente em obras urgentes para suas comunidades, contratando mão-de-obra desempregada nos próprios bairros. Em sua opinião, o governo federal ficou pequeno diante do desafio que é o combate à fome. Para Betinho, democracia e solução de problemas têm a ver com cidades e prefeitos. Frisou, porém, ser necessária uma ação articulada, homogênea, de todas as prefeituras para se obter resultados. "Não peço o impossível", afirmou. Desiludido com a burocracia do governo federal que, em sua opinião, não conseguiu ter a força necessária para dar prioridade à questão, Betinho agora espera que os prefeitos se tornem o centro da campanha. "Mas só isto não basta, os governos federal e estaduais, empresários e sociedade devem assumir suas parcelas", lembra. Os prefeitos contaram suas experiências e o que fazem para enfrentar o drama social concentrado nas capitais. Jarbas Vasconcelos lamentou a presença de poucos prefeitos, mas considerou o encontro importante para ajudar a sensibilizar os colegas e a população sobre a urgência do movimento. Afirmou, ainda, que o movimento não deve ter donos e falou da necessidade de evitar que se tire proveito político e eleitoral de uma situação tão grave de miséria, incluindo nessa questão ética também as Organizações Não-Governamentais (ONGs) (JC) (JB).