CADA CRIANÇA DE RUA É ASSISTIDA POR TRÊS PROJETOS

Cada criança de rua do Rio de Janeiro (capital) recebe assistência de pelo menos três projetos de instituições governamentais ou não simultaneamente. Este dado é o resultado de uma pesquisa realizada pela educadora Ligia Costa Leite, do Espaço Flor do Amanhã, que entrevistou 26 menores, com idades entre 10 e 17 anos, em maio do ano passado, que dormiam na Cinelância (centro) e no Corte de Cantagalo (zona sul). Embora o número de crianças de rua no município seja de aproximadamente 700, segundo o Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (IBASE), a pesquisa mostra-- mesmo tomando como base um grupo pequeno-- que todos os entrevistados são assistidos por várias entidades ao mesmo tempo. Nenhuma criança deixou de ser atendida, embora nenhuma estivesse matriculada na escola. Na opinião da educadora, ao invés das ONGs "baterem cabeça" nas ruas da cidade, o ideal seria a união delas com o estado, encarregado, oficialmente, de prestar assistência ao menor, tentando reintegrá-lo à família. De acordo com a pesquisa, a educadora chegou à conclusão de que, do grupo entrevistado, apenas um não tinha vínculo com os pais. Segundo ela, este dado reforça a tese de que eles vêm de um convívio difícil em família. "Além dos conflitos em casa, eles moravam em locais insalubres, mal servido de programas que os fixem na região. Na rua, eles conseguem tudo, até mesmo uma família", explicou. Ligia conta que existem 619 programas e ONGs cadastradas que trabalham com crianças carentes, mas apenas 39 tratam especificamente dos garotos que dormem nas ruas. Segundo um estudo feito pela educadora-- baseado em informações do livro "Ação invisível", de Licia Valadares e Flávia Impelizieri-- nove ONGs oferecem abrigo, trabalhando na rua com estas crianças: Pastoral do Menor, São Martinho, Cruzada do Menor, Espaço Flor do Amanhã, Instituto Brasileiro de Inovações em Saúde Social (Ibiss), Instituto Brasileiro de Desenvolvimento (Ibrades), Pastoral Penal, Projeto Pegação e Refúgio de Meninos e Meninas de Rua (Remer). Há organizações que oferecem serviços de defesa dos direitos das crianças em seu próprio ambiente: a rua. A educadora calcula que existam seis deste tipo. O Centro de Defesa dos Direitos Humanos Bento Rubião, a Associação dos Ex-Alunos da FUNABEM, Fundação Fé e Alegria e o Centro de Articulação de Populações Marginalizadas (CEAP) são alguns exemplos. Elas prestam serviços jurídicos e possuem uma central de denúncias que funciona a nível internacional (JB).