Beber suco preparado com os restos mortais de um macaco e ser obrigado a jogar futebol completamente nu com uma bola de ferro. Essas são duas das dezenas de denúncias apresentadas ontem, em Brasília (DF), na abertura do I Congresso Nacional de Entidades de Praças da Polícia e do Corpo de Bombeiros Militares, que reuniu cerca de 200 PMs de vários estados. Convocado para debater o papel da PM e a proposta de desmilitarização e fusão com a Polícia Civil, o congresso serviu, no primeiro dia, para demonstrar que os maus-tratos contra os recrutas brasilienses em 1990, revelados na semana passada, estão longe de ser uma exceção à regra. O presidente da Federação Nacional dos Policiais Militares, ex-soldado Marcos Lima, defendeu, durante o encontro, a desmilitarização das polícias militares e sua fusão com as polícias civis. Uma das vantagens da fusão, segundo Lima, seria o fim da rivalidade entre as duas polícias. O representante de Rondônia no Congresso, João Cavalcante, disse que em seu estado são frequentes as trocas de tiros entre a Polícia Militar e a Civil. Em 1989, os policiais civis do Distrito Federal entraram em greve. A PM foi acionada para reprimir o movimento. Daí para que os policiais se desentendessem foi um passo. O resultado foi um tiroteio no qual saíram feridos seis policiais, três de cada lado. A PM perdeu ainda um cavalo e um cachorro (O Globo).