A participação das exportações brasileiras no comércio mundial recuou ao nível de 20 anos atrás. A conclusão é de estudo encomendado pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). O interesse do mercado internacional pelos produtos vendidos pelo Brasil vem caindo ano a ano-- hoje sua posição relativa é semelhante à de 1972/73-- levando o país a perder bilhões de dólares. O trabalho foi feito pelo economista Jorge Chami Batista. Rompendo a crença de que as exportações ficaram de certa forma imunes à crise econômica que vem paralisando o país desde o início dos anos 80, Batista concluiu que foi "dramática" a perda de competitividade no período: "Do ponto de vista das exportações, o segundo quinquênio da década de 80 foi o quinquênio perdido da década perdida". O Brasil está numa posição vulnerável não apenas porque a velocidade de suas vendas não acompanhou o ritmo do comércio internacional, mas também porque a pauta de suas exportações agrupou-se em mercadorias que podem facilmente encontrar concorrentes na arena mundial. O Brasil, informa o estudo, concentra suas exportações hoje em dois grandes grupos: as commodities manufaturadas (produtos com baixo grau de elaboração industrial, como suco de laranja, açúcar, celulose etc.) e os produtos primários. As "commodities" respondem por 52% e os primários por 28% do valor das vendas externas, no "ranking" dos 100 principais itens da pauta de exportação com maior participação nos seus respectivos mercados mundiais. Esses 100 primeiros são responsáveis por cerca de 70% das exportações brasileiras (FSP).