AGENDA BRASIL PERDE A CUT E SE ESVAZIA

A CUT fez saber ontem, através de seu presidente, Jair Meneguelli, que não participará da reunião de hoje da Agenda Brasil-- o encontro idealizado pelo presidente Itamar Franco para discutir não apenas a política salarial, mas igualmente outros aspectos econômicos e sociais do país. A defecção da CUT junta-se à reticência da FEBRABAN e esvazia o encontro, que perde assim um setor dissonante. Meneguelli deixou claro que a retirada da CUT foi provocada pelo veto do presidente Itamar Franco ao projeto de lei que estabelecia o reajuste mensal dos salários pela inflação plena e, também, pela medida provisória que instituiu um redutor de 10 pontos percentuais para os reajustes. O presidente Itamar Franco admitiu, ontem, que o país passa por grave crise, mas negou ter afirmado, em conversa com um amigo, que o agravamento dos problemas sociais pudesse comprometer as eleições de 1994. "Em nenhum momento, eu me referi a um arrastão social", garantiu. "A crise existe, é cheia de dificuldades, é grave, mas não a esse ponto. Se eu reconhecesse o adiamento das eleições, estaria à beira de um colapso administrativo e político. Seria o caos, se isso fosse verdade, se eu reconhecesse isso", argumentou Itamar. Segundo o ministro da Justiça, Maurício Corrêa, "não haverá golpe de Estado porque o presidente é democrata e o ministro da Justiça é democrata". Ele afirmou que o governo está preocupado com o quadro social do país, mas que isso não sinaliza nenhuma previsão de que as eleições de 94 não vão se realizar (JC) (FSP).