A juíza Maria Lúcia Capiberibe, do II Tribunal do Júri, pediu ontem ao vice-governador e secretário de Justiça e Polícia Civil do Rio de Janeiro, Nilo Batista, que coloque num único local os 10 menores e adolescentes que são testemunhas e sobreviventes da chacina da Candelária, ocorrida em 23 de julho. O pedido da juíza atende à reclamação dos promotores Maurício Assayag e José Pineiro, que acompanham o caso e estão preocupados com a possibilidade de os sobreviventes e testemunhas desaparecerem. O promotor Assayag observou que, se os garotos forem dispersados, depois será muito difícil localizá-los, porque eles praticamente não têm endereço fixo. Um grupo de 30 crianças e adolescentes que sobreviveram à chacina da Candelária atacou ontem a pedradas o CRIAM (Centro de Recursos Integrados ao Menor) da Penha (zona norte do Rio) e ameaçou de morte psicólogas e assistentes sociais. Os menores reclamavam da separação do grupo, decidida este fim-de-semana pela Secretaria de Justiça do Estado. Chamada para dar segurança, a Polícia Militar pouco interferiu. Soldados trataram apenas de proteger os funcionários, mas não evitaram a destruição das vidraças do alojamento e da administração. Reconhecidos pelo lavador de carros Wagner dos Santos como dois dos PMs que o socorreram em frente ao Museu de Arte Moderna (MAM) na noite do massacre dos oito menores na Candelária, os soldados Jailson Lucas e Julio César Melo, do 5o. BPM, estão agora na lista dos suspeitos como autores do crime. O governo federal dará todo o apoio ao movimento "O Rio pede Justiça", lançado ontem na Associação Comercial do Rio de Janeiro, por advogados do estado. A informação foi dada pelo ministro da Justiça, Maurício Corrêa. Segundo ele, o presidente Itamar Franco está examinando o problema dos menores de rua e deverá criar nos próximos dias um grupo de trabalho para elaborar um anteprojeto de lei com o objetivo de "minimizar esse drama de âmbito nacional". O movimento tem por objetivo elaborar sugestões para questões como a dos menores de rua e da superlotação do sistema carcerário no Estado do Rio de Janeiro. Além disso, também vai propor alternativas para agilizar a Justiça fluminense (JC) (GM) (FSP) (O Globo) (JB).