Trinta presidentes de empresas públicas como PETROBRÁS, Vale do Rio Doce, ELETROBRÁS, Rede Ferroviária Federal (RFFSA), Banco do Brasil e Departamento Nacional de Combustíveis, assinaram ontem no Fórum de Ciência e Cultura o Termo de Adesão ao Programa de Combate à Fome e à Miséria, coordenado pelo diretor-executivo do IBASE (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas), Herbert de Souza. As empresas fazem parte do Comitê das Empresas Públicas, criado com o objetivo de unir esforços para ajudar a melhorar a qualidade de vida da população. Dois tipos de ações vêm sendo adotados pelo Comitê das Estatais. A primeira, de resultado imediato, consiste na doação de tíquetes- refeição, coleta de mantimentos, organização de eventos beneficientes, e iniciativas conduzidas individualmente por cada empresa ou por seus empregados. Numa segunda linha de ação, de caráter estrutural, as empresas se valem de sua experiência técnica para articular parcerias entre elas e com os órgãos estaduais, municipais e organizações comunitárias e do setor produtivo privado, visando à implantação de um conjunto de atividade que se constituam em instrumentos efetivos na luta contra a fome e a miséria. É nesta linha de ação que vêm surgindo várias propostas aplicáveis nacionalmente, que deverão ser discutidas com os órgãos competentes e buscar parceria para sua implementação. Para dinamizar os trabalhos, o Comitê criou nove subgrupos nas áreas de saúde, alimentos, saneamento, habitação, educação, informática, legislação, transporte e abastecimentos, maneiras variadas de uso de terrenos ociosos e também da água. No campo de saúde e nutrição estabeleceu-se como prioritário o fortalecimento dos postos de saúde, que também serão utilizados como centros de distribuição de alimentos. No campo do transporte e armazenagem, foi feito um mapeamento das ferrovias, estações e armazéns para planejamento da coleta de doações, transportes gratuito e distribuição de alimento às populações carentes. No setor da educação está prevista a difusão, via satélite, de programação para reciclagem de instrutores e professores para o ensino primário e profissionalizante. No que se refere ao uso alternativo de recursos existentes, o Comitê das Estatais pretende aproveitar os poços perfurados na prospecção de petróleo, onde só existam água, e também utilizar a experiência técnica e maquinaria para irrigação e perfuração de novos poços com a finalidade específica de garantir o abastecimento para as comunidades nordestinas. O Comitê estuda ainda a viabilidade do uso de reservatórios das usinas hidrelétricas para a produção de pescado e irrigação. A produção agrícola seria incentivada através do uso de terras reservadas de empresas públicas. Entre as linhas de ação já levantadas existe ainda um plano de geração de empregos, alimentos e energia no meio rural que prevê a utilização de mão-de-obra intensiva para a produção de álcool em pequenas propriedades através do uso de recursos locais. A iniciativa tem por objetivo dinamizar a produção de moendas, alambiques, torres de destilação e caldeiras e, para que seja concretizada necessitará da participação dos órgãos federais, estaduais e municipais competentes. Ainda com o objetivo de criar novos postos de trabalho, o Comitê pretende estimular a formação de fazendeiros florestais para a produção de celulose, madeiras, cereais e frutas. Esta parte do projeto também será utilizada no desenvolvimento de oleaginosas agrícolas como o coqueiro macaúba, o babaçu e o dendê, cujos óleos vegetais podem ser usados in natura, em alguns tipos de motores do ciclo diesel (JC) (O Dia).