Três meninos de rua são mortos a cada dia no Estado do Rio de Janeiro, segundo o Juizado de Menores. De janeiro a maio, 321 foram assassinados e 167 tiveram morte violenta (por homicídio culposo, reação de pessoas que querem defender seu patrimônio e resistência a prisão, entre outros). Somam-se a esse número os 53 homicídios contra crianças em julho, divulgado pela Polícia Civil. Assim, 541 crianças morreram em 180 dias. Em contrapartida, é grande o número de menores envolvidos em crimes. Só neste ano, 954 menores infratores deram entrada no Juizado, com idade entre 10 e 17 anos. De acordo com o Juizado, é no centro da cidade e no bairro de Copacabana-- 133 ocorrências cada-- e no interior dos ônibus que ocorre a maioria das infrações cometidas por menores, como crimes contra o patrimônio (70% das ocorrências), uso e tráfico de entorpecentes, crimes contra os costumes e outros. Normalmente, os menores, quando não têm família e moram mesmo na rua, são provenientes das favelas da Rocinha e do Jacarezinho. No ano passado, o Juizado registrou 1.054 furtos e 822 roubos praticados por menores. Também foram registrados 159 casos de envolvimento de menores com tráfico e 123 de envolvimento com consumo de entorpecentes. Atualmente, cerca de 250 menores infratores, já condenados, estão nas ruas, segundo o juiz Cláudio Luiz BRaga Dell`Orto, substituto da 2a. Vara de Menores, para quem a falta de estrutura da polícia é a grande responsável. Para a diretora do Departamento Geral de Polícia Especializada (DGPE), Marta Rocha, a Divisão de Proteção à Criança e ao Adolescente está bem aparelhada. A delegada, no entanto, pretende entrar em contato com o Juizado para saber o que está acontecendo. No ano passado, segundo o Juizado de Menores, 230 menores foram mortos no Rio, contra 469 de janeiro a dezembro de 1991, segundo dados do Movimento Nacional de Meninos e Meninas de Rua. Até maio deste ano, dos 321 homicídios dolosos cometidos contra menores, 154 ocorreram na capital, 83 na Baixada Fluninense, 50 em Niterói e São Gonçalo e 34 no interior (O Globo).