ONG SE DEFENDE DAS ACUSAÇÕES DO JUIZ

O empresário Sérgio Andrade de Carvalho, administrador da Ancar, uma holding que é sócia de shoppings centers em Recife (PE), Porto Alegre (RS) e Brasília (DF), tem uma opinião formada sobre quem critica o trabalho das ONGs (Organizações Não-Governamentais), alegando que há entidades demais para poucas crianças na rua: "Ou é desinformação ou tem má fé". Ele não disse, no entanto, em qual das possibilidades está incluído o juiz de menores, Liborne Siqueira, que acusou as ONGs de formarem uma Indústria do menor". Mas o empresário, que fundou em 1986 a Cruzada do Menor-- uma ONG que trabalha com crianças de rua--, não poupou o juiz. "Ele está prestando um desserviço", concluiu. Sérgio explica que a rixa entre o juiz de menores e as ONGs tem uma motivação "histórica". Ele conta que, há quatro anos, Liborni tentou tirar à força os meninos da rua para colocá-los em abrigos públicos. Entidades como a Pastoral do Menor e a Fundação São Martinho, no Rio de Janeiro, entraram na justiça para impedir a ação. Ganharam a causa e um inimigo. Sérgio fica do lado das ONGs e questiona a internação forçada em abrigos: "Não parece que essa medida seja uma solução nova ou exitosa". Já o juiz Liborni garante que entre a Praça Saens Pena e o Leblon há apenas 700 crianças dormindo nas ruas. Em compensação, ele afirma que existem 322 entidades de assistência a esse público. E que há interesse dessas instituições em manter as crianças na sargeta por causa do financiamento que recebem. Já Sérgio cita um estudo feito pelo IUPERJ sobre instituições e projetos com crianças carentes, que registra 620 em todo o estado, mas apenas 43 que lidam as que estão nas ruas. Sobre os rios de dinheiro que viriam do exterior, Sérgio é categórico: "Aqui é uma dureza desgraçada para arranjar dinheiro". Ele cita o caso da Cruzada do Menor que, desde a fundação, só conseguiu um financiador estrangeiro, a Inter American Foudation, que deu US$120 mil em três convênios para o período entre 1988 e 1994. Ele afirma que não é tão fácil conseguir verba como se imagina. "Eu peço de ficar rouco e com a caneta gasta". A Cruzada do Menor atende a 600 crianças em cinco projetos. São 450 crianças atendidas no Rio de Janeiro, 40 delas vivendo em abrigos mantidos pelas entidade. As crianças vão para as escolas e recebem um encaminhamento profissional. Anualmente, a empresa de Sérgio investe US$100 mil nos projetos. Mas não está sozinha-- empresários como Eike Batista e empresas como a C&A ajudam a financiar o projeto. Ele reconhece que o custo é alto (JB).