SETE MENORES SÃO ASSASSINADOS NO CENTRO DO RIO

Sete menores, com idades entre 10 e 17 anos, foram mortos com tiros na cabeça, peito e costas na madrugada de ontem, em pleno centro do Município do Rio de Janeiro, em um dos crimes mais brutais já ocorridos na cidade. Eles integravam um grupo de aproximadamente 50 meninos e meninas de rua que dormiam sob marquises de prédios ao lado da Igreja da Candelária, onde cruzam as duas principais avenidas do centro, a Rio Branco e a Presidente Vargas. De acordo com o relato de um dos sobreviventes, o homem que liderou a chacina chegou ao local com um prato, simulando estar trazendo comida para as crianças. "Ele perguntou quem queria sopa e atirou na cabeça de um moleque", contou o menor. A chacina ocorreu por volta de 1 hora da manhã. Os menores dormiam. Pelo menos cinco homens participaram do massacre. Enquanto atirava, o homem do prato queria saber quem era o Marcelo. Dois meninos que dormiam em cima de uma banca de jornais tentaram correr, mas foram fuzilados. Um deles, de 12 anos, tentou atravessar a rua em direção à igreja, mas caiu com um tiro nas costas. Dos seis baleados debaixo da marquise, quatro morreram na hora. Dois foram levados para o Hospital Souza Aguiar, mas apenas um, resistiu. Ele disse que estava indo para a Praça Mauá, quando dois carros, "com quatro ou cinco homens", pararam ao seu lado na Candelária. "Eles me empurraram para dentro do carro, sentaram em cima de mim e me deram um tiro na cabeça". Ele está sob proteção policial. Apavorados com os disparos à queima-roupa, as crianças correram em várias direções. Muitas buscaram abrigo em uma delegacia próxima. Três não tiveram a mesma sorte. Foram capturadas pelos matadores, que depois jogaram seus corpos diante da sede naútica do Vasco, ao lado do Museu de Arte Moderna, no Aterro do Flamengo. O funcionário de um posto de gasolina disse ter visto quaro homens jogando corpos no local. As suspeitas quanto à participação de PMs na chacina foram reforçadas pelo fato de os assassinatos terem ocorrido cerca de oito horas depois de um incidente envolvendo soldados do 5o. Batalhão da Polícia Militar e vários meninos de rua durante uma passeata na Candelária. Irritado pela pressão dos policiais para que deixassem o local, um dos meninos estilhaçou o vidro de um Opala da PM com uma pedra. Um dos garotos chegou a ser levado à 1a. Delegacia Policial, na Praça Mauá. "O PM disse pra gente de lá, porque senão eles iam voltar pra passar o /rodo/ na gente", disse ele. O massacre provocou reações de indignação no país. O presidente Itamar Franco se disse "horrorizado". Para o ministro da Justiça, Maurício Corrêa, o caso provocou um "profundo constrangimento" no país. O vereador Augusto Boal pediu a renúncia do governador do Rio de Janeiro, Leonel Brizola (PDT). Três soldados da PM estão detidos sob suspeitos (O ESP) (JB) (FSP) (O Globo).