CINCO MENORES DE RUA ASSASSINADOS NO RIO DE JANEIRO

Cinco menores de rua, que dormiam debaixo da marquise de um prédio ao lado da Igreja da Candelária, no Centro do Rio de Janeiro (capital), foram mortos nesta madrugada, por um grupo de homens armados, que estava em dois carros. Os assassinos dispararam contra mais de 30 meninos que dormem naquele local. Houve pânico entre os menores, que tentaram se esconder atrás de bancas de jornais. Um deles ficou gravemente ferido. O grupo de homens armados também atacou a tiros meninos de rua que dormiam num dos jardins próximos ao Aeroporto Santos Dumont, também no Centro. Um menor ficou ferido. Era cerca de 1h, quando dois Chevettes-- um deles, um táxi--, com as chapas cobertas, estacionaram perto da Igreja da Candelária. Os homens atacaram a tiros os meninos de rua, que estavam sob a marquise do edifício do Comind Crédito Imobiliário. Um dos assassinos perguntou pelo menor conhecido como Russo, que, durante o dia de ontem, dera entrevista para um jornal, falando sobre o banho dos meninos de rua no chafariz em frente à igreja. O grupo armado chutou e agrediu alguns meninos, mas saiu rapidamente. De longe, entregadores de jornais que trabalham na área viram o crime. Um menor, que dormia em cima de uma banca de jornal, também pôde ver a ação do grupo. Ele diz ter reconhecido entre os assassinos dois policiais militares que atuam na região. Dos cinco mortos, três-- identificados apenas como Marcelo, Neguinho e Dois Carecas-- ficaram caídos no local onde dormiam, sob as marquises. Um-- cujo apelido é Caolho-- foi morto bem em frente à Igreja da Candelária, junto ao chafariz. O último morreu quando era socorrido por ambulância do Corpo de Bombeiros, a caminho do hospital. Apesar da presença de bombeiros, policiais do 5o. Batalhão da Polícia Militar (Praça da Harmonia) e da 1a. Delegacia de Polícia (Praça Mauá), os menores, enrolados em cobertores, temiam a volta do grupo de assassinos e pediam um local seguro para passar a noite. Até 2h30m, a polícia ainda não sabia para onde levar os meninos (O Globo).