O governo está procurando recursos adicionais para oferecer às centrais sindicais reajuste mensal superior a 60% da inflação. O ministro do Planejamento, Alexis Stepanenko, vai propor aos empresários que retirem as ações na Justiça contra a cobrança do Finsocial, Cofins e PIS-Pasep. Cálculos do governo indicam que metade dos US$3 bilhões que o Cofins deveria ter gerado no primeiro semestre está depositado em juízo. O senador Albano Franco (sem partido-SE), presidente da CNI (Confederação Nacional da Indústria), retransmitiu o apelo aos presidentes das federações das indústrias de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Eles não acham fácil atender o pedido, disse. A FIESP defende a livre negociação salarial. O PNBE (Pensamento Nacional das Bases Empresariais) defente uma política de rendas, com negociação de metas trimestrais para salários e preços. O presidente da Força Sindical, Luiz Antônio de Medeiros, afirmou que um reajuste inferior a 80% criará uma mobilização que levará o Congresso Nacional a derrubar o veto presidencial aos 100%. "Será o abismo", afirmou. A CUT (Central Única dos Trabalhadores) pretende oferecer ao governo ajuda para conseguir dinheiro em troca da reposição plena da inflação nos salários. Uma das propostas é a de usar a estrutura dos sindicatos para fiscalizar sonegadores da Previdência Social. Os trabalhadores estão perdendo duas vezes com o atraso na definição da nova política salarial. Levantamento do DIEESE (Departamento Intersindical de Estudos e Estatísticas Sócio-Econômicas) mostra que os salários acumulam até junho um prejuízo de até 34,05%, dependendo da data-base, com a manutenção dos reajustes bimestrais. Além disso, o clima de incerteza fez com que os preços disparassem nos supermercados. Segundo o Procon, os preços subiram 22,91% em média nos últimos 22 dias (FSP) (O ESP).